Uma nova relação de produção

Antes de ir eternamente para “a nuvem”, Steve Jobs deixara algumas dicas sobre como seus produtos e serviços iriam mudar algumas cadeias de produção. De fato, Jobs inaugurou uma geração de “programadores-produtores”. Isso porque, com o surgimento da Apple Store e seu sistema de armazenamento e distribuição, um ou dois programadores podem dar vida a um simples (e rentável) aplicativo.

Sim, mas o que as editoras tem com isso? Atualmente quase nada. Mas com a disseminação dos tablets (que já está acontecendo, mas deve aumentar nos próximos anos – escreverei sobre num próximo post) a relação de parceria autor x editora tende a ser cada vez mais essencial para a sobrevivência da própria editora. Isso porque, nas regras atuais, o autor ainda precisa da editora para publicar seu livro, pois o custo de gráfica, distribuição e gerenciamento de vendas ainda é um custo pesado demais para bancar sozinho. Mas, desde do surgimento do epub, esses custos ficaram muito reduzidos (ou inexistentes). No último Congresso sobre Livro Digital da CBL pouco se questionou sobre a possibilidade de uma Amazon ou outra distribuidora começarem a aceitar livros diretamente do autor (na verdade isso já está acontecendo com algumas empresas na Europa). Também pouco se debateu sobre o fato de que a facilidade de publicação e distribuição e gerenciamento da monetização do conteúdo também servem para quem é o autor da publicação.

Não quero aqui ser o arauto dos problemas, mas acredito que as editoras só continuarão a ter um papel relevante se trabalharem como as atuais editoras de revistas e jornais, ou seja: recebem as pautas (as ideias) escolhem as melhores e pagam para o jornalista (ou o autor) escrever. O atual modelo “autor escreve todo o material e, apenas se o texto for escolhido, o autor recebe” tende, num futuro próximo, a ser uma escolha perigosa pois levaria o escritor a acreditar que não precisaria de uma editora para ele fazer a publicação e a monetização de seu material já que esses custos já começam a não ser um problema para os “autores-micro-empreendedores”.

3º Congresso sobre o Livro Digital

Nos dias 10 e 11 de maio aconteceu o 3º Congresso sobre o Livro Digital, patrocinado pela CBL. Lá estavam cerca de 300 das maiores editoras de livros e revistas do País ouvindo palestrantes vindos de alguns países da europa e dos Estados Unidos, além de alguns brasileiros.
Minha opinião: Pela primeira vez eu vi muitas editoras realmente preocupadas em colocar seu material de forma digital. Várias já contratando empresas de conversão de materiais de versões impressas para o formato .epub e outras tantas fazendo volumosos contratos com empresas de distribuição.
Epa. Empresas de Distribuição? Mas as editoras não podem colocar seus materiais nos seus próprios servidores, onde já conseguem vender seu material por e-commerce?
Podem, mas elas temem pela pirataria que esses novos materiais possam vir a sofrer e então, atualmente, elas se veem reféns de empresas que vendem proteção do tipo DRM, como a Adobe. Como só as empresas de distribuição tem um capital para investir nisso… lá estão as editoras entregando seu conteúdo para as empresas de distribuição venderem pelos seus próprios sites de vendas.
Nós próximos posts eu estarei discutindo sobre formas de como as editoras poderiam vender seus livros sem necessariamente ficarem presos a correntes que só o temor de uma pirataria poderia causar.

Pirataria nos livros digitais: como acabar com ela?

É bom lembrar que pirataria sempre atingiu vários mercados. São músicas, filmes, bolsas, tênis, camisas oficiais e até a própria indústria editorial, com os xérox totais dos livros de faculdade. Tenho pensado e estruturado uma forma de vendagem de livros que não se perca com a distribuição gratuita e indiscriminada de seu maior bem. Fica aqui alguns conceitos que eu acho que as empresas deveriam pensar: 1. Estudar como os outros mercados conviveram com a pirataria 2. Sempre, mas sempre haverá jeitos de quebrar códigos de proteção… pergunte para o menino da informática… entenderam o porque do “conviveram”?

Amarrando o cadarço

Nos últimos meses tenho estudado sobre livros e revistas digitais (mais especificamente em tablets e e-readers) e como esse novo jeito de visualização de conteúdo já está mudando estruturas em editoras de livros e revistas pelo mundo.

Li muita coisa, falei com várias pessoas (especialistas ou curiosos pela área) e, como tudo na internet, me vi cercado de informações vezes catastróficas, vezes visionárias e outras até errôneas mesmo.

Neste blog complartilharei um pouco dessa caminhada que eu e a Samis (minha parceira nesses e noutros assuntos) estamos vivendo atualmente.

Espero que gostem.